marketing para restaurantes

Marketing Para Restaurantes: o Guia Completo

Deixa eu te contar uma coisa que eu escuto direto: engenheiro lança foguete pra Nasa mais fácil do que administrar um restaurante de sucesso. Não é exagero. Restaurante é contabilidade, é garçom, é salão, é delivery, é compra de insumo, é fornecedor, é gente entrando e saindo, é tudo isso ao mesmo tempo, todo santo dia. E no meio de tudo isso, o dono ainda precisa entender como trazer cliente pra dentro.

A maioria não entende. E não é obrigado a entender. O problema é que ele também não sabe contratar quem entende.

Eu tenho mais de 15 anos como empresário de restaurante e outros tantos estudando marketing digital. E a conclusão que eu cheguei é simples: marketing para restaurante não é igual marketing para qualquer outro negócio. Se você não entende de operação, não entende de CMV, não sabe por que um prato mais complicado de fazer não pode entrar numa promoção, você vai errar a mão. E vai errar caro.

Esse artigo é o mapa completo. Vou te mostrar como a gente pensa marketing pra restaurante lá na Supersal, pilar por pilar.

O problema que ninguém te conta: você não sabe quem é o seu cliente

Pensa comigo. Um cliente senta na sua mesa, come, paga a conta e vai embora. Você não sabe o nome dele. Não sabe o aniversário. Não sabe se ele tem filho, se ele volta toda semana ou se foi a primeira e única vez.

Amanhã você lança um prato novo, tem uma programação musical, um happy hour especial. Você não tem como falar com essa pessoa. Não tem como convidar ela de volta. Esse é o primeiro e maior problema de marketing que quase todo restaurante tem: ele não sabe quem está indo na casa dele.

E aí o que acontece? Ele tenta atirar pra todo lado tentando te encontrar de novo. Gasta dinheiro pra caramba e não é assertivo. É balde furado: entra gente, sai gente, e o dono nunca constrói uma base de verdade.

O método SCOPE: os cinco pilares que a gente usa

Depois de anos atendendo dezenas de marcas e centenas de casas, a gente sistematizou o que funciona de verdade num método que chamamos de SCOPE. Cinco letras, cinco pilares.

S de Segmentação (e captação de dados)

Esse é o pilar mais importante de todos. Sem dado, não tem segmentação, sem segmentação, não tem comunicação certa. A gente usa várias técnicas pra identificar quem está indo no restaurante: wifi, CPF na nota, celular na reserva, QR code do cardápio digital. Nenhuma técnica sozinha pega 100% dos clientes, então a gente junta várias.

Com esse dado na mão, você segmenta. Um cliente que almoça no executivo durante a semana é diferente do cliente que vem pro jantar no fim de semana. Um cliente que traz filho é diferente do casal sem criança. Quem tenta comunicar a mesma coisa pra todo mundo está desperdiçando dinheiro.

C de Conteúdo

Não adianta ter dado e não ter conteúdo certo pra impactar quem você segmentou. E aqui vale um alerta: o conteúdo que realmente funciona hoje no Instagram é aquele vídeo cru, o cozinheiro fritando, o ovo caindo na panela, o vapor subindo. Isso não dá pra agência nenhuma produzir de fora, porque não tem o timing do momento espontâneo.

Por isso a gente sempre recomenda que o restaurante internalize essa produção do dia a dia, com uma pessoa da própria equipe. E complementa com conteúdo profissional de fotógrafo e videomaker parceiro pra campanhas mais elaboradas.

O de Oferta

Oferta não é sinônimo de promoção. É tudo que o seu restaurante tem pra oferecer: prato executivo, happy hour, brinquedoteca, evento, iFood. E o erro mais comum que eu vejo é o restaurante ficar martelando sempre a mesma oferta pro público inteiro. Um cara que trabalha perto do restaurante quer o executivo às 12h. O mesmo cara, saindo às 17h30, é um cliente diferente pro happy hour. Você tem que desenhar oferta por segmento, não uma oferta única pra todo mundo.

P de Posicionamento digital

Google Meu Negócio, Instagram, TripAdvisor. O site perdeu importância, hoje as pessoas ou vão no Google Meu Negócio ou vão no Instagram pra descobrir seu restaurante. Se a sua ficha está incompleta, sem cardápio, sem telefone, sem endereço fácil de achar, você está perdendo cliente sem nem saber.

E de Estratégia

É o pilar que amarra tudo. Entender o orçamento do restaurante (a gente recomenda de 2 a 5% do faturamento pra marketing), entender o posicionamento, o diferencial, o ticket médio, e desenhar como os outros quatro pilares vão trabalhar juntos.

Não invente moda: feijão com arroz bem feito primeiro

Um erro clássico é o restaurante querer pular direto pra tecnologia de ponta sem ter o básico rodando. Tablet de pedido complicado na mesa, aplicativo que dá trabalho pra logar, isso atrapalha mais do que ajuda. Às vezes uma boa e velha caderneta anotando o nome do cliente já resolve mais do que a ferramenta mais cara do mercado.

A regra é simples: primeiro organiza a casa, depois traz gente pra dentro. Não adianta trazer cliente novo se o CMV está zoado e o atendimento demora. Você toma prejuízo em cada venda nova.

Localização ainda importa, mas não do jeito que você imagina

Ponto continua sendo fundamental. Cerca de 80% dos seus clientes vêm de um raio próximo ao restaurante, principalmente se ele é de perfil comercial. Mas as plataformas de anúncio estão restringindo cada vez mais a segmentação por localização de moradores. Isso quer dizer uma coisa: quanto mais você depende só de localização pra achar cliente, mais bala de canhão você atira. E quanto mais dado próprio você tem, menos dependente você fica dessas restrições.

Como medir se está funcionando

Esquece curtida e comentário como métrica principal de campanha paga. A gente olha CPM (custo por mil pessoas impactadas, nosso padrão fica em torno de R$5), alcance, frequência de impacto e, em vídeo, tempo de tela assistido. No fim das contas, a métrica que manda é faturamento. Por isso a gente sempre pede pro cliente abrir os números pra acompanhar a evolução de verdade.

Próximo passo

Marketing para restaurante não é um Instagram bonito. É captar dado, segmentar, entregar oferta certa pro segmento certo, estar bem posicionado nas plataformas certas e amarrar tudo numa estratégia. Quem faz isso empilha faturamento. Quem não faz fica rodando atrás do próprio rabo, trocando cliente por cliente sem nunca crescer de verdade.

Perguntas frequentes

Quanto um restaurante deve investir em marketing por mês?

A régua que a gente usa é de 2 a 5% do faturamento do restaurante, somando agência, mídia paga e produção de conteúdo. Quanto mais próximo dos 5%, mais peso a verba tem no resultado.

Preciso de agência ou dá pra fazer marketing sozinho?

Dá pra fazer o básico sozinho no começo, mas marketing pra restaurante exige entender de operação, de CMV, de captação de dado e de plataforma. Sem esse entendimento, você gasta dinheiro sem direção.

Rede social sozinha já resolve o marketing do restaurante?

Não. Instagram bonito sem captação de dado, sem oferta segmentada e sem posicionamento correto nas plataformas de busca é só parte da equação. O resultado vem do conjunto dos cinco pilares trabalhando juntos.

Qual o maior erro que restaurante comete em marketing?

Não saber quem é o cliente que frequenta a casa. Sem esse dado, toda comunicação vira tiro no escuro.

Rodrigo Bindes é CEO da Supersal, a agência de marketing mais conceituada do Brasil especializada em restaurantes, criador do Método SCOPE e mentor de outras agências de marketing digital.

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Rodrigo Bindes

CEO da Supersal, criador do Método SCOPE e mentor de outras agências de marketing.

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