Eu já vi de tudo nesses mais de 15 anos entre operar restaurante e cuidar do marketing de dezenas de marcas. E o que mais me chama atenção é que os erros se repetem, ano após ano, independente do tamanho do restaurante. Grande rede às vezes comete o mesmo erro básico de restaurante pequeno.
Vou listar os que mais aparecem, na ordem de impacto que eu enxergo.
Erro 1: não saber quem é o cliente
Esse é o pai de todos os erros. O cliente senta, come, paga, vai embora, e o restaurante não sabe o nome dele, não sabe o aniversário, não sabe se ele tem filho. Amanhã tem prato novo, tem evento, e não tem como avisar ninguém, porque não existe base de contato.
A correção começa simples: capturar dado em todo ponto de contato possível, reserva, cardápio digital, CPF na nota, cartão de fidelidade. Não precisa de tecnologia cara pra começar, precisa de disciplina de captar.
Erro 2: comunicar todo mundo com a mesma oferta
O padrão mais comum é pegar só o prato executivo e divulgar o tempo inteiro, pra todo público, o dia inteiro. Isso ignora que o cliente do almoço durante a semana é diferente do cliente do jantar de fim de semana, que é diferente do cliente que vem com criança pra brinquedoteca.
Comunicar igual pra segmentos diferentes é desperdiçar verba e atenção. A correção é desenhar oferta específica pra cada momento e cada perfil.
Erro 3: achar que tecnologia complicada resolve problema
Tem restaurante que coloca tablet de pedido na mesa achando que moderniza a experiência, e o resultado é o oposto: o cliente demora mais, erra o pedido, e sai frustrado. Aplicativo de delivery próprio que é difícil de logar, com senha complicada, tem o mesmo efeito. O cliente desiste no meio do caminho.
O básico bem feito costuma vencer a tecnologia mal implementada. Às vezes uma comanda de papel bem tirada funciona melhor que um sistema digital mal pensado. Antes de trocar de ferramenta, o dono deveria sentar como cliente e viver a própria experiência.
Erro 4: não pedir avaliação (ou pedir do jeito errado)
Muito restaurante tem aquele tablet de avaliação interna, cheio de pergunta, sobre ambiente, comida, atendimento, mas isso não gera avaliação externa nenhuma no Google ou no TripAdvisor, que é o que realmente pesa na decisão de quem está pesquisando de fora.
A correção é simples: no momento em que o cliente demonstra satisfação, pedir a avaliação direto, com QR code que leva pra tela de estrelinha do Google. Redes bem geridas conseguem entrar no top de restaurantes mais bem avaliados de uma cidade só fazendo esse trabalho de forma constante.
Erro 5: contratar agência genérica achando que marketing é tudo igual
Agência que atende pet shop, supermercado, loja de roupa e restaurante ao mesmo tempo não entende de CMV, não entende de ficha técnica, não entende por que um prato mais complicado de preparar não pode virar promoção. Ela vai empurrar campanha genérica, sem entender o risco de sobrecarregar a cozinha ou de vender abaixo da margem.
A correção é procurar quem já viveu o problema específico do seu nicho, dezenas ou centenas de vezes.
Erro 6: Instagram desorganizado
Destaque sem categoria clara, sem foto dos pratos mais vendidos, bio sem endereço nem telefone. O cliente que já decidiu ir no seu restaurante e entra no Instagram pra confirmar detalhe desiste se não encontra rápido. Isso vale até dentro do próprio restaurante: tem cliente que abre o Instagram sentado na mesa pra ver foto do prato antes de pedir, porque o cardápio físico não mostra imagem de tudo.
A correção é tratar o Instagram como se fosse o site do restaurante, com cada destaque funcionando como uma aba organizada.
Erro 7: trazer cliente novo sem cuidar da casa primeiro
Esse é sutil e caro. O dono foca tudo em atrair, atrair, atrair, sem perceber que o CMV está desalinhado ou que o atendimento está capenga. Resultado: cada cliente novo que chega vira prejuízo, porque a venda sai por menos do que custa entregar.
A correção é sempre organizar a casa antes de escalar a atração. Medir, melhorar o que foi medido, e só depois investir pesado em trazer gente pra dentro.
Erro 8: focar só em curtida e comentário como resultado
Engajamento importa pro conteúdo orgânico, mas não é a métrica que deveria guiar campanha paga nem decisão de negócio. Tem cliente satisfeito e silencioso, que nunca curte nem comenta, mas assiste o vídeo inteiro e volta pro restaurante. Focar só em número de vaidade faz o dono achar que uma campanha deu errado quando na verdade ela está funcionando por baixo do radar.
A correção é olhar métrica de verdade: tempo de vídeo assistido, frequência de impacto e, no fim, faturamento.
Erro 9: depender só do iFood ou de marketplace
Marketplace traz volume, mas fica com o dado do cliente. Restaurante que não trabalha um canal próprio de relacionamento, com WhatsApp, cardápio digital, cartão de fidelidade, está numa relação de aluguel, pagando comissão alta sem construir recorrência de verdade.
Erro 10: complicar a experiência tentando parecer moderno
Aplicativo difícil de logar, senha complicada de recuperar, sistema de pedido cheio de etapa desnecessária. O cliente não quer ficar lembrando senha de aplicativo de comida, ele quer pedir rápido e comer. Restaurante que complica a jornada achando que está inovando costuma perder cliente pra concorrente que manteve o processo simples. Feijão com arroz bem feito continua vencendo tecnologia mal pensada.
Erro 11: não medir o orçamento certo de marketing
Tem restaurante que gasta muito abaixo do necessário achando que está economizando, e tem restaurante que gasta sem critério nenhum achando que quanto mais verba, melhor. Os dois erram. A régua de 2 a 5% do faturamento existe justamente pra dar um parâmetro real, calibrado pelo tamanho do próprio negócio, em vez de decisão no achismo.
Como priorizar a correção
Com tantos erros possíveis, a pergunta natural é por onde começar. A resposta é sempre a mesma: primeiro captação de dado, porque sem dado nenhum outro pilar funciona direito. Depois organização da casa, CMV e atendimento, porque não adianta atrair gente pra uma operação capenga. Só depois disso faz sentido investir pesado em oferta segmentada, posicionamento digital e tráfego pago.
Próximo passo
A maioria desses erros não é falta de esforço, é falta de método. O dono de restaurante corre o dia inteiro, mas corre sem direção clara. Corrigir esses pontos, um por um, é o que separa quem só sobrevive de quem constrói faturamento de verdade ao longo do tempo.
Perguntas frequentes
Qual é o erro de marketing mais comum em restaurantes?
Não capturar dado do cliente. Sem esse dado, toda a comunicação vira tentativa no escuro, gastando verba sem direção certa.
Vale a pena investir em tecnologia moderna no atendimento?
Só se ela realmente melhora a experiência. Tecnologia mal implementada, como tablet de pedido confuso, costuma piorar a jornada do cliente em vez de ajudar.
Redes sociais mal cuidadas afetam vendas de verdade?
Afetam sim. O cliente decide em segundos se vai entrar ou não no restaurante, e um Instagram desorganizado faz ele desistir antes mesmo de chegar até a porta.
É melhor focar em atrair cliente novo ou em reter o cliente atual?
O ideal é equilibrar, mas nunca ignorar a casa organizada. Trazer cliente novo pra um restaurante com CMV desalinhado ou atendimento capenga transforma cada venda nova em prejuízo.
Rodrigo Bindes é CEO da Supersal, a agência de marketing mais conceituada do Brasil especializada em restaurantes, criador do Método SCOPE e mentor de outras agências de marketing digital.
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